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    É incontável o números de estilos de Kung Fu ( Wu Shu ) existentes na China.    A origem dos nomes desses estilos estão atadas a lugares e pessoas; alguns são atribuídos a partir de uma determinada técnica, de algum herói lendário ou mesmo de animais, objetos, ou seitas religiosas.
    Existem até estilos com nomes diferentes e técnicas muito semelhantes, quase sempre porque na origem estavam unidos e posteriormente dividiram-se em diferentes linhas de sucessão.
    Aliás, a história de um estilo acompanha pari passu a história de seus sucessores e seus grandes feitos.
    A linha sucessória, também denominada genealogia, é o mais importante registro a que tem acesso o representante de um determinado estilo; condição imperativa do respeito popular e confiabilidade didática.
    Na China homem algum se atreveria a tentar ensinar qualquer arte marcial sem estar incluído na hierarquia genealógica de um estilo.
    Embora alguns professores possuam certificados que atestam seu nível de proficiência no domínio da arte, a elite marcial busca a tutela de mestres de reconhecida genealogia, desdenhando diplomas e certificados.
    A preservação dos registros genealógicos do estilo é das tarefas mais disputadas pelos discípulos de um mestre prestes a morrer.
    Sabendo-se da existência de estilos que datam de dezenas de séculos, a preservação dos dados torna-se dificultosa porque ao nome de cada sucessor é costume anexarem-se dados biográficos e históricos, além de relatos sobre seus feitos, muitas vezes documentados e avalizados por testemunhas.
    A tradição sucessória da escola Wing Chun remonta a pouco mais de 200 anos, quando o estilo passou a ser conhecido por esse nome; mas, existem certas suspeitas que apontam para épocas mais distantes.    A origem do estilo Wing Chun está ligada ao Templo Shaolin, portanto vamos recuar no tempo e examinar alguns fatos relevantes.
    De acordo com o referencial histórico, o Templo Shaolin era o mais importante templo budista da China setentrional pelo início do sexto século de nossa era.    Até essa época ele era visto apenas como um local de estudos budistas e de tradução dos inúmeras sutras do sânnscrito e do Páli.
    Não existem referências que apontem a existência de artes marciais ou mesmo de exercícios de defesa pessoal nesse templo em época anterior à chegada de Bodhidharma.
    Bodhidharma era filho do rei Sughanda, um dos inúmeros pequenos monarcas ( Rajá ) indianos e como tal fazia parte da casta dos guerreiros ( Kshastriya ) e recebeu primorosa educação militar.    Fazia parte do currículo militar dessa época, na Índia, a prática do Vajramushti; uma arte marcial de origem remotíssima, cujo nome significa:

VAJRA - do rei, do sol, real, solar, bastão, etc...
MUSHTI - golpe desferido com o punho, soco, punho, etc...

    A tradução dos termos do sânscrito apresenta uma certa dificuldade, como aliás os demais idiomas orientais como o chinês, o coreano e o japonês.    Essa dificuldade surge principalmente devido às diferentes possibilidades de tradução de um mesmo termo, dado aos inúmeros significados dos radicais que o compõem.
    Assim sendo poderíamos traduzir a palavra - Vajramushti - por punho real ou punho do sol ou ainda uma dezena de outros termos mais ou menos semelhantes.

    Bodhidharma, tendo se convertido ao Budismo, estudou durante muitos anos sob a tutela do grande mestre Prajnatara que era o grande líder do budismo de sua época e, por ser um Kshasrtiya, era também muito habilidoso na prática do Vajramushti.
    Bodhidharma distinguiu-se muito no estudo do Budismo, tendo-se tornado o vigésimo oitavo patriarca desse sistema filosófico.
    Segundo alguns autores teria continuado a particar os exercícios fundamentais do Vajramushti mesmo após ter atingido o mais lato escalão dentro do budismo.
    Buda também era um príncipe ( e portanto Kshastriya ) praticava essa arte e, após ter criado o Budismo, incorporou o Vajramushti entre seus ensinamentos como um método efetivo de unificar a mente e o corpo.
BODHISATVA AVALOKITESVARA BODHIDHARMA conhecido por TA MO em chinês e por DARUMA TAISHI ou BODAI DARUMA em japonês. Foi o vigésimo oitavo patriarca do Budismo. Criador do pensamento CH'AN conhecido por ZEN no Japão e por SUN na Coréia.

    Embora os registros históricos refiram-se ao Kung Hu pela primeira vez no ano de 2674 antes de Cristo, a grande verdade é que desses estilos nada se preservou até nossos dias, pois a grande eficiência do Shaolin por volta da Dinastia Ming superou de tal forma os estilos antigos que acabou por extinguí-los.
    Apesar de o Budismo ter chegado à China provavelmente na Dinastia Han ( 25-220 D.C. ), foi apenas sob a influência de Bodhidharma, por volta de 525 D.C., que a arte marcial indiana passou a ser ensinada conjuntamente com a doutrina.
    De acordo com a tradição budista, em 64 D.C., o imperador Ming Ti enviou emissários à Índia para obter sutras budistas e imagens.    As viagens daqueles tempos demandavam longos anos para serem realizadas e boa parte do caminho era percorrida a pé; quando os peregrinos eram surpreendidos pelos meses de inverno, em plena travessia dos himalaias, eram forçados a acampar senão arriscar-se-iam a perecer.
    Por força da influência das disferentes culturas inerentes a essas cidades, a caravana enviada por Ming Ti conviveu com diferentes escolas de Budismo Tibetano tanto na viagem de ida quanto na volta.
    Fruto de todos esses fatores somados, o Budismo que se enraizou na China nessa época diferia bastante do Budismo filosófico e enfatizava a salvação da fé e da especulação metafísica.
    Ao verificar a existência do Budismo Salvacionista chinês que tanto tinha se separado dos dogmas originais, Bodhidharma foi à China no início do sexto século numa tentativa de transmitir o verdadeiro ensinamento de Buda.
    Segundo consta, Bodhidharma foi andando da Índia até a corte de Liang Wu Ti, soberano de um dos reinados estabelecidos durante o período das seis dinastias e notoriamente um grande protetor do budismo.    Porém, visto que o Budismo de Wu Ti era salvacionista e ritualista ele não compreendeu Bodhidharma que pregava a meditação e a percepção intuitiva.
    Mas muitos que estavam insatisfeitos com o Budismo daquele tempo ajuntaram-se ao redor do patriarca.    Expulso do reino de Liang, Bodhidharma viajou para o reino de Wei e finalmente estabeleceu-se em Shaolin, um monastério na montanha de Hao-Shan, próximo a Loyang, onde hoje é a província de Honan.
    O Budismo ensiando nesse monastério torno-se conhecido como Ch'an, aqui no BRasil uma ramificação dessa escola - o Zen japonês - tem sido razoavelmente divulgada.
    Instruído inicialmente no Templo Shaolin como um recurso de recuperação física às longas horas de meditação, com tempo o Vajramushti recuperou o seu papel de prática ascética e tornou-se um sistema auxiliar da meditação, no sentido de lançar uma nova luz nos preceitos que pregavam a unidade da mente com o corpo.
    Tratando-se de exercícios com fins espirituais, exigia-se a prática rigorosamente correta de cada movimento e aos mínimos gestos atribuía-se uma importância fundamental.
    Evidentemente a notória dificuldade que os chineses tinham e têm para a pronúncia do sânscrito fez com passar do tempo desaparecer o nome Vajramushti e essa arte passou a ser conhecida segundo alguns autores pelos nomes: Lo-Han, Nalo-Jan, Arohan e I-Jinsin.

Alguns historiadores pretendem negar a influência indiana na formação marcial dos monges de Shaolin, mas a presença de ilustrações nas paredes do templo mostram lutadores de cor mais escura e com os olhos não amendoados, mostrando que no templo haviam mestres de artes marciais vindos da Índia.     Por volta do século XVI os exercícios fundamentais foram ampliados por Kwok Yuen que incorporou a eles alguns movimentos formais de escolas de Kung Fu originárias de outras regiões da China.
    Isso deu origem a um novo estilo que passou a ser conhecido anos mais tarde como o estilo Shaolin.
    Por;em, os monges mais velhos não aprovaram essas modificações por temerem que, através delas, o objetivo espiritual se diluiria e passar-se-ai a valorizar apenas o lado marcial da arte - como realmente aconteceu.
    Para preservar os movimentos antigos e seus objetivos ascéticos os exercícios originais de Bodhidharma foram mantidos em segredo e ensinados apenas aos monges que aceitavam os votos mais avançados da ordem e, mesmo assim, só após serem ordenados e receberem a veste amarela, ritual de renúncia e desapego reservado a poucos iniciados.

    Por outro lado as técnicas de Kwork Yuen eram ensinadas a todos os monges indiscriminadamente, sem que necessariamente estivessem num avançado grau de domínio dos dogmas budistas, o que deu aos monges Shaolim a fama de grande valentia e insofismável ferocidade em luta.

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